Entre os dias 2 e 5 de Agosto de 2001, os pulmões do mundo respiraram com esperança e celebração; a esperança de que a destruição da floresta Amazônica pare. Uma celebração de vida, paz, música e bons momentos.

 

 

Dois anos atrás, o dj brasileiro com base em NY, Carlos Soul Slinger 'sonhou' com a idéia de um festival de música eletrônica em seu país. Seu conceito se tornou um projeto, que com a ajuda de um belo time se tornou uma realidade gloriosa.
Greenpeace se uniu para realizar a supervisão ambiental e o governo do Amazonas colaborou com estrutura e patrocínio financeiro para a realização do festival...


Músicos, djs e MCs vieram do Brasil e de diversos países do mundo para dar seu apoio à proteção ecológica da floresta Amazônica e do planeta que nos dá a vida. E que melhor maneira para o Brasil protestar do que fazer o que sabe bem - Festejar!!!



Parte dos 360.000m2 de terra foram divididos assim: duas pistas cobertas gigantes - construídas em forma de Malocas indígenas - sendo uma para hip-hop, jungle e drum 'n' bass e outra para techno, house e trance; um palco flutuante para bandas ao vivo e jam sessions; Chill Out, área vip, praça de alimentação e fumódromos; uma área para debates e pequenas apresentações; e, finalmente, um pequeno mercado local e 'Woodstick'.



Às 11.30pm do dia 02/08 os dance floors se 'ascenderam' com sistemas de som, vídeo e luz de primeira qualidade. A Maloca Techno foi aberta por um line-up de três dj's de Manaus que tocou para um público de 2000 pessoas e, 1 hora depois, DrumMagic (BR) abriu a Maloca Jungle.



Genoma Tec, um grupo de teatro local com rostos sujos, vestidos em trapos e enlameados surpreendeu com sua performance. Uma mistura de dança moderna e ritualística.



A noite se foi até que, às 9am, o som foi desligado…

...mas o melhor ainda estava por vir.


Na segunda noite, o público de Manaus se 'aqueceu' e mais de 6000 estavam presentes para conhecer a grande nave Ecosystem1.0.

 
A noite começou com DJ Nutz e Zé Gonzales no palco flutuante, que 'flutuou' por toda a noite sob a luz de uma lua quase cheia. Um local mágico...


Tectonict's (Eliot Sharp e DJ Soul Slinger), acompanhados de Micah Gaugh com seu 'sexy saxofone', foram os próximos. Na sequência, a banda americana State of Bengal detonou com flauta, percussão e vocais.


 


Para finalizar uma noite de luxúria musical, a Suba Dream Band, uma união de mais de 10 conhecidos músicos brasileiros, 'quebrou tudo' em uma jam session dedicada ao falecido Suba (DJ Mika Subatik of Yugoslavia). "Suba era muito reconhecido no Brasil e no mundo e produziu músicas com grandes nomes como Bebel Gilberto. Ele tinha um estilo casual de fazer música, e é isso que tentaremos reproduzir. A banda é uma união de amigos prestando homenagem a um grande produtor que infelizmente faleceu no ano passado" diz Sergio Bartolo, baixista do Funk Como Le Gusta.



Entre o palco flutuante e a Maloca Techno ficava um chill out perfeito para quem estava atrás de descanso, com ótimo sistema de som e imagens da natureza à qual estávamos homenageando.



Enquanto isso, na Maloca Techno, DJ Mel (USA) abriu a noite, seguido por DJ Tsuoyshi (Japão), que matou a sede dos tranceiros com um belo set, enquanto o VJ Palumbo servia imagens incessantemente para os olhos famintos. Com o sol veio Woogie, que tocou um set hilário, misturando hits dos anos 80 com jungle e house...


Haviam apenas sorrisos na pista…

...às 10am a musica parou e era hora de se preparar para a próxima noite.


Na terceira noite, Manaus se rendeu e o público subiu para 15000 pessoas. DJ Soul Slinger e MC TC Izlam, filho do Africa Bambaata, abriram a Maloca Jungle e após isso Mr Izlam nunca mais parou. Ele estava em todas as partes da festa, soltando palavras de paz e respeito para o planeta, a humanidade, Soul Slinger e Greenpeace.



A 3ª louca noite se passou mais ou menos assim: Na Maloca Jungle, DJ Randall, DJ Aphrodite (UK); DJ Crust (UK) e TC Islam (USA). No Palco Flutuante: Drumagick, DJ Nutz, DJ Krush, Amar + Drum FM. Na Maloca Techno: Angelo Leuzzi, Renato Cohen, Ken Ishii (Japão), Live P.A por Air Liquide (Alemanha) e Renato Lopes e Don Qui Shot. Sem contar os diversos artistas que nos entreteram na área vip, chill out e Woodstick até sermos enviados de volta para o hotel mais uma vez.



No Domingo, os portões se abriram de graça, às 2pm, para um público de mais de 3000 (muitos mais estavam por vir) em busca de mais balada. Brasileiro gosta!!! DJ Fabio supriu o crow até às 6pm. Boi Sound System (Manaus) abriu o Palco Flutuante, seguidos de uma 'salada' de artistas que mantiveram o inquieto público entretido até o início do show do Nação Zumbi. Para fechar o festival com chave de ouro, a Suba Dream Band, acompanhada pelo MC TC Izlam, destruiu pela segunda vez com uma jam session, enviando mensagens de tributo ao Brasil, natureza e organização da Ecosystem1.0!



Em entrevista antes da festa, Soul Slinger disse; "Espero que todos que compareçam aprendam algo e é claro, se divirtam." Acredito que suas esperanças aconteceram. Sem dúvida, com o aprendizado deste ano, a Ecosystem2.0 será um sucesso ainda maior, com melhor divulgação, mais informação, organização ainda mais profissional e maior trabalho de preservação ambiental, por isso não percam!!!


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Ecosystem1.0 foi talvez o primeiro festival de música eletrônica no Brasil que melhorou o meio ambiente aonde foi feito, ao invés de 'destruí-lo' e nos mostrou que arte, cultura e tecnologia podem trabalhar juntos para o bem da Mãe Natureza. O festival foi realizado em uma pedreira abandonada que estava virando lixão dos moradores de Manaus. O projeto Ecosystem e o governo do Amazonas, com a supervisão do Greenpeace, têm como meta a limpeza dos 360000m2 de área desapropriada para devolvê-la ao público em forma de parque ecológico na Ecosystem2.0.



A reciclagem do lixo, a limpeza do local e a realização da festa foram os principais objetivos dos organizadores e para isso o governo do Amazonas entrou com a mão de obra e patrocínio necessários para a efetivação do projeto.



Toda a madeira usada na construção das estruturas foi certificada e aprovada pelo FSC (FSC é um sistema independente que certifica a madeira retirada da floresta atendendo a rígidos padrões ambientais e sociais. Internacionalmente reconhecido, o FSC funciona como garantia de que a madeira provém de fontes legais e sustentáveis. Para mais informações sobre o FSC veja o site www.fsc.org.br)


          


A festa contava com mais de 100 latões para lixo reciclado (4 tipos) e o uso de PVC foi mínimo. Os planos são de substituir todo esse tipo de material do parque antes da
Ecosystem 2.0.



Alguns dos futuros planos são: uso de 'combustível ecológico', instalação de painéis solares e banheiros ecológicos, descontinuar o uso de luz UV, investimento em programas de iniciativa ecológica e mais...

Text: Lisa Ismael
Photos: Lisa & André Ismael


Para saber mais sobre o envolvimento do Greenpeace
na Ecosystem 1.0 e planos para o próximo ano visite:

http://www.greenpeace.org.br/ecosystem1/



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