Entrevista com o grupo Pedra Branca

Texto por Daniel Baha
Imagens por André e Lisa



Como vocês classificam o seu som?

Não classificamos, não nos prendemos em marcas ou modelos, estamos no fluxo e cada musica é uma intensidade dentro do fluxo, que sempre esta em movimento, a musica quando é arte é criação, ela não se fixa, não se cristaliza em uma classificação, mesmo que toda mídia queria isso, a classificação nunca da conta da arte em si, pois se for arte ela é sempre devir.

Como compõem as musicas sendo 3 integrantes?

Dez do inicio do grupo eu e o Aquiles compomos a maioria das idéias do grupo juntos, experimentos, sintonias, fragmentos, improvisos , idéias, conceitos, começamos assim livres, e ate hoje é assim e de outras maneiras, mas eu as vezes tenho surtos de expressão, e acabo componho algumas musicas sozinho e depois mostro para ele para pensarmos em algo juntos. Trabalhamos também com Alfredo Bello, na parte de arranjos e lapidações das musicas, uma pessoa fundamental para nosso trabalho.

O que o som do Pedra Branca significa pra vocês, e o que deve significar para as outras pessoas?

Vibração, som no fluxo cósmico, musica da terra, da água, do fogo, do ar, do sol, da lua, das estrelas, e ao mesmo tempo das cidades, das ruas, das sintonias, da multiplicidade, da eletricidade, dos encontros , das sensações, do amor, da afirmação da vida, de nossos ancestrais. Agora para as outras pessoas podíamos perguntar e anexar aqui, gostaria de saber também(rs) mas já ouvi de tudo sobre o nosso som, mas não vou saber dizer.

O improviso na hora do show ao vivo da mais tesão do que as próprias musicas?

Amo as musicas que faço, pois sou elas, somos elas quando tocamos, seja composições ou improvisos, o tesão e´ o mesmo, vai de acordo com cada intensidade do momento que nos atravessa na expressão, não de ser improviso ou composição, pois também as composições tem improvisos, gostamos muito de improvisar em momentos que não seja contemplativo, mas sim ritualísticos ou festivos.


Qual o show mais significativo, e por que?

Rave da Caverna de 2003 (Daime Tribe), pois ouve uma sintonia com as pessoas que ali estavam, muito forte e especial. No Sesc Vila Mariana onde pudemos fazer uma apresentaçao com recursos técnicos, assim a qualidade de som e efeito visual (iluminação e projeção de imagens) foram muito bom, isso para músicos e´ um presente.

O que deveria mudar na musica e na industria musical hoje em dia?

A musica sempre esta mudando, vejo muita musica boa , como muita musica sem ir de encontro com a arte, com a criação, para mim o que importa são as criativas, as que buscam singularidades e expressões fortes, o restante apenas não ouço na minha casa, não vou contra elas. A industria musical e cultural esta cada vez mais distancia da arte em si, ela não quer arte, ela quer produto, e para ser produto tem ser etiquetado, ter classificação, mas quem faz arte de verdade não se importa com isso, mesmo que classifiquem como quiserem. O capitalismo quer isso, trabalhar com a subjetividade social das pessoas, investir nas marcas, investir nas forças reativas do ser humano, na negação da vida, produzir essa subjetividade, pois ficam mais seguros na sua empreitada do capital, quer guetos, padrões, repetir as mesmas idéias, nos não, queremos arte, vida, amor, devir, mutação, sermos singulares, não aceitarmos tomarmos coca-cola, não aceitarmos a imposição dos paises mais ricos.

Por que tanta gente aceita a manipulação da mídia nesse sentido?

Aceitam por não saberem que estão aceitando ao investir nas marcas, ao investir na musica e/ou arte que não transforma, por não trabalharem a sua singularidade, por não despertarem para as ligações do ser no cosmo e na vida mundana, por negarem a vida, são dominados por forças reativas. Ao despertar para sentir a si mesmo, ao outro e ao universo, surge uma nova forma de receber essa subjetividade social e das relações com o outro, pois todos somos pura potencia e queremos despertar isso nas pessoas.

Falta atitude na cena eletrônica brasileira e na musica brasileira? O que falta?

Não tem que ter cena, de nada, de nenhum segmento, ou melhor, não tem que ter segmento também, sei que sempre estamos sujeitos a isso, não vou deixar de fazer nada por isso, mas não ligo para isso, não falta atitude, falta buscar linha de fugas, reapropriar da subjetividade social e sensibilidade humana e da natureza universal. Vejo muita coisa boa sendo feita aqui no Brasil, muitas mesmo, coisas que realmente fico transformado e muito emocionado, mas de musica eletrônica quase nada, tudo e´ legal, mas nada vai alem, apenas repetição das mesmas idéias. Então a musica esta ai,a dança, as artes cênicas e visuais, quem se sensibilizar por ela merece ela, quem não merece consumir a musica e arte que quiser.


A musica eletrônica está sendo bem explorada pelos artistas que criam, ou ela pode ir muito mais além do que isso que vimos até hoje?

Tem muita gente explorando coisas muito interessantes na musica eletrônica mundial, no Brasil também, sabemos que a musica feita com recursos tecnológicos e´ feita há muito tempo, dês da musica eletroacústica ate hoje fazem experimentos e musicas das mais diversas com recursos eletrônicos, tem coisas que realmente acho muito bom, mas tem muita gente que esta presa, como em tudo.

Outros ritmos foram fundidos com a musica eletrônica, vocês vêem todos os resultados dessas fusões de uma forma positiva? Muito mais coisas podem ser fundidas e exploradas? O que, derrepente?


Para mim, não importa a musica eletrônica, não vejo esse paralelo, e´ musica, musica e´ sempre infinito, se a fusão pode ser feita com recursos eletrônicos ou não, não e´ o principal, o principal e´ a arte, e´ a criação , sendo assim e´ positiva sempre, os recursos eletrônicos apenas estão para somarem, exploração de timbres,nunca para fechar neles e acharmos que eles são a coisa em si.

O que vocês acham de um projeto como o Chai & Chill? O que mais pode ser feito e de que forma podemos (nós músicos) aproveitar essa oportunidade?

Acho que esse é o caminho para uma nova forma de balada, ser um pólo artístico e de manifestação de expressões, experimentos, outras trocas.

Qual é a opinião de vocês sobre o mp3, a pirataria e o fato de que gravadoras menores podem quebrar caso ninguém compre os cds?

Assim, não nego a gravadora, mas também não me importo com ela, pois são seres reativos que geralmente estão por traz delas, pessoas que não são ativas, não criam, e não querem arte , são pessoas que não olham a arte, olham o produto. A musica tem que ser livre, sabemos que o artista não ganha seu salário de discos vendidos e sabemos que o mp3 e outras mídias virtuais são o fluxo livre da comunicação virtual na internet, e´ um caminho para uma nova forma de mídia e acesso à informação. Acho que as pessoas tem o direito de escolher se querem comprar o cd ou puxar os mp3.


10 artistas ou grupos que cada um recomenda?

Codona
Nana Vasconcelos
Omar Faruk Tekbilek
Talvin Singht
Hermeto Pascoal
Ananda Shankar
Massive Attack
Masada
Rabit abou Khalil
Indios do Xingu,Xavantes,Guarani,Surui...
Dead Can Dance
Tuva
Ali Khan
Erik Truffaz
Loop Guru
Shakti
Bambuzais
Shankar Family & Friends
Alice Coltraine
Chico Science & Nação Zumbi
Genect Drugs
Bjork
Augustus Pablo
Mad Professor
Clementina de Jesus (Cantos dos Escravos)
Hegberto Gismonti
Caixeiras da casa fanti-ashanti
Philip Glass
Igor Stravisnk
John Cage
Miles Davis
Art Ensemble of Chicargo
Orquestra Popilar de Camara
Portishead
Pifano Moderno
Uakit
Miltom Nascimento
Afrosamba

De uns anos pra cá, quais são os novos artistas que merecem destaque na musica mundial e no Brasil?

Bambuzais de Fernando Sardo e Projeto Cru de Simone Soul.

Qual a opinião de vocês sobre a relação dos organizadores de festas com os artistas contratados: cachê, calotes, prejuízos, ´decentes´ e ´mau-caraters´, infra, assistência e organização?

Nossa , isso e´ o que mais pega, fico na segunda de ir às vezes, pois isso rola mesmo, ou o som ta legal e não pagam, ou pagam mas o som do chill out esta uma droga, mas também acontece de pagarem certinho e o som estar bacana, mas a maioria dos produtores das festas não são profissionais e éticos.

Qual é o panorama atual de chillouts no Brasil na visão de vocês? O que tem que mudar? (sejam bem críticos por favor!!)

Esta crescendo, mais os produtores das festas ainda não se ligaram que o chill out e´ um fator importantíssimo nas festas, e deve ser mais bem cuidado, os artistas serem respeitados, contratar mais músicos, atores, dançarinas, performances, fazer do chill out um espaço agradável e com varias atrações.

Qual caminho os chillouts devem seguir dentro das Raves?

Ser um espaço com arte, palestras, rituais, vivencias

E qual é o melhor caminho fora das Raves?


Todos caminhos, não há melhor mas sim caminhos plurais, espaços e pessoas das mais diversas, exploramos isso.

Estão faltando iniciativas e campos de trabalho para músicos como vocês?

Não sei, pois esta cada dia melhor para nos, não esta ainda do nível que gostaríamos, estamos no caminho que e´ de luta, de ruptura, e estamos trabalhando para isso. Sabemos que tem muitas pessoas que estão conectadas e antenadas, não acho que só há alienados, acho sim que tem muitas pessoas que não vão despertar para uma nova visão da vida e pensamentos.

A sonoridade de vocês é bem peculiar. Vocês usam algum instrumento diferente, fora sitar, tabla, e computador?

Sim, eu uso o alaúde(instrumento árabe), o samissen(instrumento japonês), e instrumentos que estou criando como flautas de pvc, intrumentos com lata, bambu e cabaça,, Aquiles fora tabla também usa o didgeridoo, tambor, a voz, e instrumesntos que eles também esta criando. Quando e´ o Alfredo que toca ao vivo, ele usa contrabaixo acústico, viola caipira, flauta de pífano, guinbardi, mini-moog, e quando e´ o João, ele usa tanpura, udu e maracas.

Aonde o Pedra Branca quer chegar?

Não queremos chegar, apenas ir, sem saber o que pode vir pela frente, sempre em mutação, apenas sabemos o sentido, a linha de fuga, ele esta na vibração, no som, na vida, na natureza, no amor, não em um ponto final ou em um objetivo.





>>> Envie esta pagina para um amigo
 
Comentários sobre esta matéria

muito irado...eles merecem ser entrevistados mais vezes

:

date posted:16/8/2006 15:18:15
no:002_661


muito boa..... gostei muito da entrevista..... boa onda....

nick: kaya
e-mail:anajurodriguez@hotmail.com

date posted:2/9/2005 20:50:47
no:001_661


Para enviar mensagem é necessário ser um membro da comunidade Zuvuya.Net. Por favor, faça seu login ou
clique aqui caso ainda não seja cadastrado.

Login:
Senha:



Zuvuya   l  Rave On  l  Babylontravel  l Ener-Ge  l T(E)=Art

© Zuvuya.Net 2005 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS
O conteúdo do Zuvuya.net é de direto dos autores e não deve ser usado sem previa permissão
Powered by: 4iDeas!